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ENFRAQUECENDO PARA DOMINAR! – Por prof. Levy Brandão

Professor Levy Brandão.
Professor Levy Brandão.

 

O texto de hoje traz algumas breves reflexões sobre um conjunto amplo de ações que têm sido contraditoriamente praticadas por quem deveria governar o país e não destruí-lo. Como poderá ler, as palavras que se sucedem escrevem e gritam sobre o desmonte, a violência, o mal reiteradamente praticados contra o Estado brasileiro e sobre o seu povo. Infelizmente!

 

A morte do povo e a do próprio Estado (como a grande maioria da população necessita, por mais que exista uma parcela que ainda não consegue ver) têm sido provocadas por agentes nada públicos, que se apropriaram do governo com o cada vez mais explícito intuito de ferir o Estado de dentro para fora, fragilizar as instituições e a vida de muitas pessoas. Agem orientados pela lógica do privado, por uma concepção de sociedade excludente e, portanto, bastante cruel. Fazem isso pelo claro desejo de subjugar, de se manterem usufruindo dos privilégios decorrentes da exclusividade do poder.

 

Há um programa em curso! O aumento da inflação, a desvalorização da moeda, a alta dos preços dos alimentos e dos combustíveis, a consequente diminuição do poder de compra de quem integra as classe menos abastadas (principalmente), mais o aumento do desemprego ou da informalidade (inclusive sustentada por um discurso de que o caminho está no empreendedorismo), somados à “reforma” trabalhista, à da previdência, à do ensino médio, o teto dos gastos e os cortes de investimentos no setor público, como os da educação e da ciência, a proposta de emenda constitucional de “reforma” administrativa para votação eminente no congresso (PEC 32), a própria maneira de lidar com a questão do combate à COVID-19, também os discursos desencontrados, confusos, ou que incitam o ódio, a propagação de notícias falsas, da desinformação, os negacionismos constantes e as falas contra a moralidade das instituições, tudo isso faz parte de um verdadeiro programa de poder. Poder para poucos e que visa se sustentar através da dor de muitos.

 

Trata-se da estratégia do enfraquecer para conquistar, do adoecer para dominar. Querem nos causar as mais diversas dores para que ocupados com o sofrimento tenhamos menos força para percebermos os constantes ataques contra a gente, contra o povo, para que assim não tenhamos energias para nos engajarmos e podermos lutar. Observem, está evidente! Atacam o nosso potencial físico, intelectual, moral, ferem-nos pouco a pouco, mas diariamente, na tentativa de minar nosso potencial de curto, médio e longo prazos, agem na deterioração do presente para fomentar um futuro deformado, no qual estejamos ainda mais combalidos, moribundos e mais fáceis de sermos submetidos à escravização.

 

Ainda há quem diga que está em curso no Brasil um governo patriótico, mas os fatos, os dados, o dia a dia do país e do seu povo cada vez mais sofrido comprovam outra situação, uma bem trágica. São 27 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza (de acordo com pesquisa recente da Fundação Getúlio Vargas – FGV); tivemos a maior inflação para o mês de setembro desde 1994 e a acumulada dos últimos doze meses atingiu a marca de 10,25% (conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA); 14,3 milhões de pessoas desempregadas, um total de 32,9 milhões de subutilizadas, mais 34,7 milhões na informalidade (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE); cerca de 56% da população em situação de insegurança alimentar (segundo a Organização das Nações Unidas – ONU); ainda temos a gasolina custando mais de R$ 6,00 e o gás de cozinha mais de R$ 100,00 em praticamente todo o Brasil (a partir da Agência Nacional do Petróleo).

 

Para o povo nada disso revela uma boa situação, mas há para quem é bastante interessante. No Brasil o número de bilionários cresceu 44% de 2020 para cá, hoje são 65 pessoas, que detêm aproximadamente R$ 1,2 trilhão (segundo ranking divulgado pela revista Forbes em abril deste ano), em um país que produziu um PIB de R$ 7,4 trilhões no último ano, o que revela muita concentração de riqueza, algo esporadicamente observado e tratado pelo Estado brasileiro ao longo da sua história, hoje deliberadamente deixado de lado. Na verdade, se mantida a atual política econômica do país e toda a lógica que permeia a mente daqueles que ocupam o governo a tendência é só aumentar.

 

Sem políticas sociais efetivas e de redistribuição de riqueza; sem investimentos públicos; sem desenvolvimento científico e tecnológico (sofreu corte recente de mais de 90% do seu orçamento); mantendo-se a lógica das privatizações; desmontando-se o serviço público como proposto através da PEC 32; alimentado-se a desvalorização da nossa moeda; fomentando-se a lógica do agronegócio que não alimenta o povo, não gera empregos (proporcionalmente falando em relação ao espaço que ocupa e impacto ecológico que produz), concentra terras, degrada a natureza e se volta para a exportação; nada disso favorece o bem-estar e o crescimento do nosso povo, mas cimenta as desigualdades e facilita a manutenção do poder dos já bastante poderosos.

 

Há quem discorde, mas não consigo ver para além do que escrevi por aqui! A situação é difícil e revoltante, vejo como clara e evidente a lógica do machucar, fragilizar, enfraquecer para dominar, no nosso caso particular, isso significa explorar, expropriar, vender! Seguirei com essa temática em outra oportunidade. Até o próximo texto!

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