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CIRANDA EM ARUANDA – Por Antonio Sampaio Dória

Professor Antônio Sampaio Dória
Professor Antônio Sampaio Dória

 

Poucas pessoas entendem o que são os Orixás. Pense nos Deuses Gregos. Os Orixás são os seus equivalentes, na África. Deuses que regem aspectos diversos da natureza e da vida humana. Sendo assim, pode-se recorrer a eles para questões específicas dentro do campo que dominam. Os Orixás estão no Candomblé, religião africana, e na Umbanda, que é uma mistura tipicamente brasileira de várias religiões. A Umbanda nasceu no Brasil, e é particularmente interessante saber que o sincretismo religioso de fato existe aqui, essa liberdade que sentimos para nos conectar a Deus de todas as formas, seja numa igreja, seja num terreiro. E o sincretismo brasileiro é tão grande e verdadeiro que foi capaz de criar essa nova religião.

 

Ciranda em Aruanda, de Lia Olivina, da editora Quatro Cantos, foca no simbolismo e na emoção que os Orixás nos trazem. A palavra Ciranda do título indica que eles se manifestam melhor na dança acompanhada de música. Sim, os rituais da Umbanda e do Candomblé são feitos com música. Esse livro pode ser lido como um canto, uma evocação a cada Orixá e sua força especial. Os desenhos coloridos e muito próximos de uma representação “infantil” funcionam como uma porta de entrada a esse universo.

Quem abre o livro é Iemanjá, e não há dúvida de que essa é a Orixá mais popular de todas. São muitas as celebrações, os barcos que saem para reverenciar Iemanjá, pois ela “mora no mar. Ela é a mãe sereia, deusa dos oceanos. Nos traga o Amor com suas águas!”

 

No entanto, os Orixás são pouco conhecidos. Funciona assim: eles fazem parte dos 7 Tronos Espirituais, e cada Trono é formado por uma figura masculina e uma feminina. Sendo assim, temos 14 Orixás, e alguns são mais comentados, mais recorrentes. Esses 7 Tronos são conhecidos como o Trono da Fé, do Amor, do Conhecimento, da Justiça, da Lei, da Evolução e da Geração. Esses Tronos “cobrem” todos os aspectos da vida. Oxalá, do Trono da Fé, equivale a Deus.

 

Obaluaê, o segundo a aparecer no livro, é o Orixá Masculino do Trono da Evolução. Sua figura coberta de palha é uma das mais misteriosas e inspira medo, mas ele não é o Deus da Morte. Ao contrário, ele é o Orixá da cura. E a cura tem a ver com o mental, o físico, o emocional e o espiritual.

 

Nanã, (ou Nanã-burokê) é o Orixá feminino do Trono da Evolução, fazendo par com o anterior. Ela está relacionada à origem do homem na Terra. O seu domínio se relaciona com as águas paradas, com o barro. “Ela é tudo que nasce e morre, senhora da sabedoria ancestral”. Recorremos a ela para entender os ciclos da vida, o eterno viver-morrer-viver.

 

Xangô? Ele é o Orixá masculino da Justiça! Quando julgamos que as coisas estão fora do seu devido lugar, que houve desrespeito, que inimizades sem motivo foram criadas, recorremos a ele para equilibrar as forças, para nos devolver àquele estado em que podemos acreditar na vida.

 

Oxumaré é o Orixá Masculino do Trono do Amor. No entanto, devemos pensar em Amor no sentido amplo, de força agregadora, de união. É uma das imagens mais bonitas, pois ele está sob um arco-íris.

 

Ciranda em Aruanda , com imagens que nos envolvem, é uma introdução a esse universo mágico. Mas o que é Aruanda? É o reino espiritual – o lugar para onde todos queremos ir, mais cedo ou mais tarde.

 

Ciranda em Aruanda, de Liu Olivina, editora Quatro Cantos. Para crianças a partir de 5 anos.


 

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