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O SIMPLES PODE SER SALUTAR – Por professor Levy Brandão

Professor Levy Brandão.
Professor Levy Brandão.

Você consegue se sentir bem vivendo sem “ostentações”, festas constantes, grandes passeios, o consumo dos artigos da moda etc.? Nossa sociedade faz parecer que “viver de maneira simples” não é possível e nem adequado, não pode ser bom, não tem como nos favorecer a felicidade e não é nada bonito, mas será que realmente é assim? Há algum motivo por trás de tudo isso?

Em grande medida, os nossos desejos, gostos e anseios são moldados, tal qual os nossos comportamentos, ambos refletem o que internalizamos através dos mais diversos processos de socialização pelos quais passamos no nosso cotidiano. Somos o que aprendemos a ser, somos aquilo que fomos estimulados a ser. E para que fomos e somos educados? E quais os estímulos que mais recebemos diariamente?

Lembre-se que a socialização acontece a todo o instante, quando conversamos com alguém, quando damos um “rolê” pela rua, quando assistimos a algo na TV ou quando navegamos pulando de uma postagem para outra nas redes sociais. Em cada um desses momentos e em muitos outros estamos em socialização, ou seja, sendo estimulados, sendo educados. E isso acontece dentro de uma cultura fabricada para se alimentar das nossas faltas, estimular as nossas carências e nos manter frustrados.

Ficar em casa não satisfaz, as tarefas domésticas não atraem, sentir prazer com um simples prato de arroz com feijão é difícil. Podemos interpretar de forma literal o que eu estou dizendo ou usar as situações levantadas como análogas a outras. O que estou pontuando é que o que é mais básico e corriqueiro é pouco atraente para muita gente, porque as suas percepções e mentalidades foram produzidas para assim entendê-los. Produzidas dessa maneira porque o básico, o simples e o corriqueiro dão poucos lucros, essa é a verdade.

Nas novelas, nos filmes, nas séries, ou nas postagens das redes sociais, em nenhum desses espaços é comum vermos o comum valorizado. O comum, que é o essencial, nesses meios foi transformado no banal indesejável, consequentemente é assim que é visto por uma grande massa de pessoas muito bem formadas para viverem tentando ser na sociedade de consumidores. “Tentando ser” porque ser se torna um projeto cada vez mais difícil de se realizar de fato.

Os estímulos diários na sua maioria não são para que olhemos para a nossa interioridade, para que reflitamos sobre as nossas vontades e as nossas ações, para que tentemos desvendar como nos tornamos o que temos sido. Não são para que entendamos a sensação de falta, de vazio que toma muitos de nós, pelo contrário, aponta para caminhos que não nos permitem mergulharmos em nós mesmos ou avançarmos para qualquer autoconhecimento.

Como tem sido o seu dia a dia? Dê-se uma chance, olhe mais para si mesmo, tente remar contra essa maré do êxtase vazio, do consumo supérfluo e do estilo de vida pré-moldado para parecer perfeitinho. Dê-se uma chance para tentar perceber que é possível se satisfazer e viver de outra forma. Há beleza fora da maquiagem, há alegria para além da badalação e é bastante nutritivo aquele básico prato de arroz com feijão.

Afastando desse modo de vida-espetáculo e também da tentativa de fazer a sua vida parecer o que necessariamente ela não é, você abre espaço para poder ser o que realmente deveria ser ou até já é, mas ainda não sabe e nem vê por causa de todo o aparato artificial que interpôs entre você e o seu existir. O simples pode ser bastante salutar, experimente!

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