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Raquel Lyra, da Calmaria à tempestade

Raquel Lyra

Em sua coluna desta segunda-feira (29.nov), o articulista Magno Martins escreveu que na medição do potencial de um candidato na disputa majoritária, sobretudo se for ainda desconhecido pela grande massa do eleitorado, os marqueteiros recorrem a dois tipos de pesquisa: quantitativa e qualitativa. Na primeira, se constata a receptividade do eleitor em geral, incluindo uma sondagem de campo, enquanto que na segunda, feita com um grupo interno e exclusivo, as conclusões são resultado da avaliação de entrevistados selecionados por segmentos da população.

Em ambas, continua Magno, a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra, pré-candidata do PSDB ao Governo de Pernambuco, aparece bem. Na última do Opinião, postada com exclusividade no blog do articulista, no final de setembro, a tucana lidera. O que não parece bem para ela é o horizonte político que vai se desenhando. Raquel tomou gosto pelo sonho de ser a primeira mulher a governar o Estado quando fechou um acordo com o PL, liderado pelo prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira, que já admitia concorrer o Senado na chapa dela.

Mas veio o pior, cenário que a tucana não contava: amanhã, num grande ato em Brasília, o presidente Bolsonaro põe as mãos no Partido Liberal, formalizando seu ingresso na legenda para concorrer à reeleição. Aterrissa com aval da cúpula liberal para interferir nas alianças estaduais, com exceção de São Paulo, Estado do presidente Valdemar Costa Neto. Em Pernambuco, o que pode acontecer?

Anderson só não perderá o controle da legenda se aliar-se a Bolsonaro, que não é o candidato de Raquel. No acordo com Valdemar, Bolsonaro impôs outra condição: a proibição de alianças do PL com o PT e PSDB. De antemão, PL, para Raquel, é carta fora do baralho. Nas prévias tucanas, Raquel fez campanha aberta e declarada para o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Jogou certo. Leite é fato novo, cara nova, algo que poderia dar certo na corrida presidencial pela terceira via.

Mas quem ganhou as prévias foi João Doria, com carimbo de antinordestino, olho grande, aventureiro, oportunista, um diabinho. Tudo que o eleitor não quer, nome pesado e difícil para Raquel carregar nas costas em Pernambuco, quando pelo lado contrário, o PSB, estará Lula, casado com o PSB. Embora tenha comandado o maior assalto aos cofres públicos da história republicana, sendo preso e sua quadrilha também, o ex-presidiário ainda consegue enganar um segmento do eleitorado pernambucano.

Sem PL e um candidato frágil ao Planalto, Raquel tende a ficar com o pincel na mão. Seu partido não tem sequer condições de montar, hoje, uma chapa proporcional, tanto para a Câmara dos Deputados quanto para a Assembleia Legislativa. Resta-lhe apenas o Cidadania, o ex-PPS, de Roberto Freire, que tende a acolher em seus quadros a deputada Priscila Krause, vista como opção de Raquel para compor a sua chapa como vice.

Mas, convenhamos, Priscila, pelo histórico conservador de militância política de direita – passou a vida inteira no DEM –, filiar-se a um partido comunista para atender aos caprichos de Raquel é abusar da boa-fé do seu eleitorado. É tentar fazer o casamento de jacaré com cobra d´água. Finaliza o blogueiro.

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