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ACREDITAR É PRECISO, MAS POR VEZES É NOCIVO. ANTES DE ACREDITAR, POR QUE NÃO DUVIDAR?

Professor Levy Brandão.
Professor Levy Brandão.

“Ideologia, eu quero uma para viver”. Lembram que o consagrado Cazuza já nos cantou esse verso? Na época ele falava sobre a necessidade de se ter em que acreditar e evocava que precisava e que queria uma ideologia, uma visão de mundo, passando a ideia que não dava para seguir com uma vida em cima do muro. Pergunto: É realmente necessário ter alguma ideologia ou é possível levar toda uma vida sem crenças, sem acreditar em nada, sem possuir uma linha lógica e narrativa de explicação e fundamentação para o que se faz? Dá para viver sem possuir sonhos?

Ideologia tem a ver com isso, com a explicação que sustenta logicamente as tomadas de decisões e ações que praticamos, ou a crença que nos alimenta de esperança e faz com que busquemos determinado objetivo, por vezes nos inspirando a dedicarmos tempo e investirmos nossas energias e recursos para transformarmos uma dada realidade que não nos tem sido adequada. É uma forma de alimento para nossos sonhos e utopias, para a nossa própria existência. Essa é uma maneira de compreender esse que é um tema clássico dos debates sobre política.

Olhando para a história do nosso país, podemos perceber o quanto certas crenças e concepções ideológicas também podem ser nocivas e causar males tanto individuais, quanto coletivos. O pior é que algumas delas se fazem entorpecendo e negando profundamente a racionalidade e substituindo o fato pelo factóide, a explicação lógica pelo acreditar a priori. A justificativa do que se afirma está na própria construção narrativa, que se trouxer elementos que se apóiam e dão relevo aos “fundamentos” da própria crença, essa já é tida como válida, mesmo que não os explique, até porque isso não é necessário.

Por exemplo, o discurso sobre o risco da possibilidade do Brasil se tornar comunista justificou tanto a ascensão ditatorial de um governo, falo da ditadura civil-militar que marcou nosso país entre os meados das décadas de 1960 e 1980, como a recente eleição democrática daquele que atualmente ocupa o cargo de Presidente brasileiro, mesmo que em nenhum dos dois momentos históricos de fato o país passasse por qualquer risco estrutural de ser submetido a alguma transformação do tipo.

Atualmente, mais uma vez, sem nenhuma explicação mais robusta, sem que os fatos justifiquem a narrativa, sem que a conjuntura apresente que o comunismo ou o socialismo estão na mira das grandes lideranças políticas do país, há quem vá à mídia afirmar que só a sua reeleição salvará o país de se tornar uma Venezuela. O país não corre esse risco. Porque algo assim só poderia acontecer através de uma profunda e revolucionária transformação das estruturas sociais e econômicas do país, o que demandaria a confluência de diversas forças sociais, políticas e econômicas. Condições várias que ainda não parecem existir.

E por que alguém acreditaria nisso, nesse tipo de discurso? Por quê? Por exemplo, como foi possível acreditarem e por tanto tempo se divulgar aquela ideia de “mamadeira de piroca” nas escolas públicas de educação infantil brasileiras? Como é possível acreditarem em algo tão evidentemente carregado de irracionalidade? Não é simples responder a essa pergunta, até porque a resposta se faz a partir da conjugação de múltiplos fatores. Aqui podemos elencar alguns desses e alertar para o fato de que acreditar sem antes analisar, avaliar e submeter a informação que chega até você à crítica mais acurada é por deveras arriscado.

Acredita-se porque não foi treinado para questionar; adota-se como verdade enunciados carregados de irracionalidade porque foi educado para ser ignorante ou faz parte de círculos sociais nos quais a ignorância prevalece; concorda de antemão porque não aprendeu a investigar; toma-se como verdade, muitas vezes não por conta do que realmente é dito, mas por causa de quem diz, pelo prestígio de quem transmite a mensagem; soma-se a tudo isso o fato de vivermos em uma época de amplo acesso a conteúdos fragmentados através das redes sociais, internet e meios de comunicação de massa, sem o devido hábito de com mais dedicação se burilar esses dados. Estão aí alguns dos motivos.

Ter em que acreditar é mais que preciso, mas acreditar sem se refletir sobre em que se acredita pode ser bastante nocivo. Por tanto, seja crítico, aprenda, desenvolva sua capacidade de investigar, analisar, destrinchar as informações que chegam até você, independente da fonte. Valorize a dúvida e tenha como arma sempre pronta o questionamento. Antes de tomar algo como verdade, pergunte com base em que deve e vai fazer isso. Seu futuro e seu presente dependem diretamente do que você vai tomar como base, verdade e acreditar. Então, antes de acreditar, por vezes é importante duvidar. Até mais!

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