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Filho de Padre Bianchi denuncia Diocese de Caruaru na Justiça

Padre Bianchi
Padre Bianchi

Um jovem que afirma ser filho de Manoel Francisco Xavier, conhecido como Padre Bianchi, denunciou a Diocese de Caruaru, no Agreste, ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) e ao Vaticano. Emanuel Gaspar Araujo Silva Xavier, de 23 anos, é advogado e está pedindo R$ 2 milhões por danos morais devido à morte do pai, que foi vítima da Covid-19 em 12 de maio de 2021. Bianchi dedicou 37 anos ao sacerdócio.

O g1 procurou a Diocese de Caruaru, por meio do coordenador diocesano da Pascom. Ele informou que “a Diocese não se pronuncia sobre temas do setor jurídico da Instituição”. Por e-mail, o g1 pediu um posicionamento ao Vaticano, por meio da Imprensa da Santa Sé, na Itália, e da Nunciatura Apostólica, que representa o Vaticano no Brasil, mas ainda não recebemos resposta. O g1 ainda tenta contato com o advogado de Emanuel, mas as ligações não foram atendidas.

Emanuel Gaspar é fruto de um relacionamento do padre com Catarina Bezerra de Araújo, que atuou como secretária na Paróquia de Santa Cruz do Capibaribe, na década de 90. Atualmente, o jovem advogado reside em Campina Grande, na Paraíba, e está sendo auxiliado pelo Projeto Cicatrizes da Fé, que ajuda pessoas que estão relacionadas a “casos de envolvimento sexual no âmbito eclesial”, além de vítimas de abuso sexual dentro da Igreja Católica.

De acordo com Emanuel, o pai nunca deixou faltar comida e educação para o filho e sempre mantinha contato. Após a morte de Padre Bianchi, Emanuel Gaspar foi até a Paróquia Nossa Senhora de Fátima, da qual o sacerdote era pároco, para ter acesso ao quarto do pai, mas não conseguiu.

Alegando dificuldades financeiras após a morte do pai, que ajudava nas despesas, o jovem afirmou ter tentado um encontro com o bispo diocesano de Caruaru, Dom José Ruy, para pedir ajuda à Diocese. Ele foi recebido por um advogado, que disse não ter nenhuma decisão tomada por parte da Diocese.

Em seguida, foi feita uma denúncia ao Vaticano (veja abaixo o e-mail enviado ao Cardeal Stella):

O g1 teve acesso à denúncia completa enviada ao Vaticano. Na carta, destaca-se que Emanuel e a mãe, Catarina, “ficassem em silêncio devido à profissão do padre […] a preservar a igreja”.

Na ação apresentada à Justiça, o advogado do projeto Cicatrizes da Fé aponta que, nos últimos anos, Padre Bianchi estaria sofrendo represálias. Segundo a denúncia, tais represálias foram por parte de Dom Bernardino Marchiò, bispo emérito de Caruaru e posteriormente, por Dom José Ruy. A diocese não se pronunciou sobre as denúncias contra seus integrantes.

“Os presentes autos versam sobre uma cruel história de perseguição praticada contra um sacerdote, pai do autor, que infelizmente viu-se ‘preso’ numa ardilosa teia, amaranhada por egoísmo e retaliações infelizmente capitaneada inicialmente pelo 1º Réu Dom Dino, atualmente bispo emérito e referendada pelo 2º Réu Dom José, atual expoente máximo da Diocese de Caruaru”, pontuou parte da denúncia.

Morte de Padre Bianchi

O padre Bianchi Xavier morreu de Covid-19 aos 69 anos na quarta-feira, 12 de maio, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Ele estava internado no Hospital da Unimed desde o início daquele mês, quando foi diagnosticado com pneumonia viral.

Por meio de nota, o padre Alexsandro Jorge, vigário forâneo, lamentou a morte. “Com pesar, nesta véspera da Virgem Santíssima, a Senhora de Fátima, confiamos a alma do nosso Irmão Pe. Bianchi Xavier, sacerdote de Cristo. Rezemos por seu descanso eterno”, disse.

Também através de nota, a Diocese de Caruaru, por meio do bispo Dom José Ruy, prestou sentimentos à família do sacerdote: “Completou sua missão aqui na Terra, mas permaneceu firme na fé. Rezemos por este sacerdote tão amado por todos, que comunicava com alegria a palavra de Deus. Agora comunica a fé na ressurreição para nós. A Diocese de Caruaru […] une-se ao Clero, familiares e todos os diocesanos neste momento”.

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